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15 September 2006 @ 10:28 pm
Pwyll, Senhor de Dyfed - Parte I de V  
O Conto do Mabinogion Pwyll, Senhor de Dyfed (Pwyll Pendeuc Dyfed) será postado em cinco partes. A tradução para o português foi feita por mim, N. Ninfae, a partir da tradução inglesa de Lady Charlotte Guest, com beta-reading e revisão da Caer, então por favor não copiem sem permissão e sem dar os devidos créditos ao nosso trabalho. Qualquer dúvida, correção ou discussão, não deixem de comentar!


Pwyll, Senhor de Dyfed
-Parte I-


Pwyll, Príncipe de Dyfed, era senhor dos sete Cantrevs¹ de Dyfed. E em uma ocasião ele estava em Narbeth, seu principal palácio, e ele estava disposto a ir caçar, e a parte de seus domínios na qual ele gostava de caçar era Glyn Cuch. Então ele partiu de Narberth naquela noite, e chegou à distância de Llwyn Diarwyd. E naquela noite ele esperou lá, e cedo pela manhã ele se ergueu e veio a Glyn Cuch; quando ele soltou os cães no bosque e fez soar o chifre, começou a perseguição. E conforme ele seguia os cães, ele se perdeu de seus companheiros; e enquanto ele escutava os cães de caça, ele ouviu o latido de outros cães de caça, um ladrar que era diferente dos seus, e vindo da direção oposta.

E ele viu uma clareira no bosque formando uma planície nivelada, e conforme seus cães chegaram às margens da clareira, ele viu um veado adulto diante dos outros cães. E veja, conforme ele chegou à metade da clareira, os cães que seguiam o veado o alcançaram e o derrubaram. E quando ele olhou para as cores dos cães, procurando não olhar para o veado, e de todos os cães de caça que ele já havia visto no mundo, ele nunca havia visto nenhum que fosse como esses. Pois seus pêlos eram de um branco brilhante luminoso, e suas orelhas eram vermelhas; e do mesmo modo que a brancura de seus corpos brilhava, também o rubro de suas orelhas reluzia. E ele se aproximou dos cães, e afastou os que haviam derrubado o veado, mandando os seus próprios cães sobre a presa.

E conforme ele estava ordenando seus cães, viu um cavaleiros vindo em sua direção sobre um grande corcel cinza-claro, com um chifre de caçada em torno de seu pescoço, e vestido com peças de lã cinza no feitio de um traje de caça. E o cavaleiro se aproximou e então falou para ele assim:

“Comandante”, disse ele, “Eu sei quem tu és, e eu não te saúdo”.

“Por acaso”, disse Pwyll, “Tu és de tal dignidade que não deverias fazê-lo”.

“Verdadeiramente”, respondeu ele, “não é minha dignidade o que me impede”.

“O que é então, ó Comandante?”, perguntou ele.

“Pelos Céus, é por questão de tua própria ignorância e falta de cortesia”.

“Que descortesia, Comandante, viste tu em mim?”

“Maior descortesia jamais havia visto em um homem”, disse ele, “do que afastar os cães que estavam matando o veado e colocar teus próprios sobre ele. Isso foi descortês, e embora eu talvez não me vingue de ti, ainda assim declaro aos Céus que eu hei de te impor mais desonra do que o valor de uma centena de veados”.

“Ó Comandante”, ele respondeu, “se eu fiz o mal, vou resgatar tua amizade.”

“Como irás resgatá-la?”

“Poderá ser de acordo com a tua nobreza, mas não sei quem tu és”.

“Um Rei coroado eu sou, na terra de onde venho”.

“Senhor”, disse ele, “que o dia prospere contigo, e de que terra vieste tu?”

“Do Annwvyn”, respondeu ele; “Arawn, um Rei do Annwvyn, eu sou.”

“Senhor”, disse ele, “como posso ganhar tua amizade?”

“Após esta conduta tu poderás”, ele disse. “Há um homem cujos domínios são opostos aos meus, que está sempre guerreando contra mim, e ele é Havgan, um Rei do Annwvyn, e livrando-me desta opressão, o que tu não podes fazer facilmente, tu poderás ganhar minha amizade”.

Alegremente o farei”, disse ele. “Mostre-me como posso”.

“Mostrar-te-ei. Observe como tu poderás. Vou estabelecer uma amizade sólida contigo; e isto eu farei. Te enviarei ao Annwvyn em meu lugar, e te darei a mais bela dama tu jamais viste para ser tua companhia, e colocarei minha imagem e semelhança em ti, de forma que nem o pajem da câmara, nem um oficial, nem qualquer homem que sempre tenha me seguido possa saber que não sou eu. E isso se dará pelo espaço de um ano a partir de amanhã, e então nós nos encontraremos neste lugar”.

“Sim”, disse ele; “mas enquanto eu deverei estar lá pelo espaço de um ano, de que formas poderei descobrir aquele de quem falaste?”

“Um ano a partir desta noite”, ele respondeu, “é o tempo fixado entre ele e eu no qual nos encontraremos no Vau; Tu estejas lá em meu lugar, e com um golpe que dares nele, ele não deverá mais viver. E se ele pedir-te que lhe dê outro, não o dê, por mais que ele te suplique, pois quando fiz isto, ele lutou contra mim no dia seguinte tão bem quanto antes”.

“Verdadeiramente”, disse Pwyll, “o que devo fazer a respeito do meu reino?”

Disse Arawn, “eu farei com que ninguém em teus domínios, seja homem ou mulher, saiba que eu não sou tu, e eu irei lá em teu lugar”.

“Com prazer então”, disse Pwyll, “eu seguirei em frente”.

“Limpo será teu caminho e nada poderá deter-te, até tu chegares em meus domínios, e eu mesmo serei teu guia!”

Então ele o conduziu até que ele avistou o palácio e suas dependências.

“Veja”, disse ele, “a Corte e o reino em teu poder. Entre na Corte, lá não há ninguém que te conheça, e quando vires que serviço é feito lá, tu irás compreender os hábitos da Corte”.

Então ele foi à Corte, e quando lá chegou, viu quartos de dormir, e salões, e câmaras, e os mais belos prédios que jamais viu. E ele foi para o salão para se despir, e lá vieram jovens e pajens para despi-lo, e enquanto entravam todos o saudaram. E dois cavaleiros vieram e retiraram suas vestes de caça de seu corpo, e o vestiram com um traje de seda e ouro. E o salão estava preparado, e então ele viu o guardião da casa e o anfitrião entrarem, e o anfitrião era o mais gracioso e melhor equipado que ele jamais havia visto. E com eles veio igualmente a Rainha, que era a mulher mais bela que ele tinha visto até então. E ela vestia um manto amarelo de cetim luminoso; e eles lavaram-se, foram para a mesa, e sentaram-se, a Rainha em um de seus lados, e um que parecia um Conde do outro lado.

E ele começou a falar com a Rainha, e pensou, por seu discurso, que ela era a mais decorosa e nobre dama de trato e de satisfação que já existiu. E eles compartilharam a carne, e a bebida, com canções e com deleite; e de todas as Cortes na terra, veja que esta era a melhor abastecida de comida e bebida, e vasos de ouro e jóias reais.

E o ano que ele passou caçando, e ouvindo menestréis, e banqueteando, e se divertindo, e discursando com seus companheiros até a noite marcada para o conflito. E quando aquela noite veio, ele foi lembrado até mesmo por aqueles que viviam na parte mais afastada de seus domínios, e ele foi ao encontro, os nobres do reino com ele. E quando ele chegou ao Vau, um cavaleiro ergueu-se e falou deste modo.

“Senhores”, disse ele, “Ouçam bem. O encontro é entre dois Reis, e apenas entre eles. Cada um reivindica a terra do outro e seu território, e que todos vós ponde-vos de lado, e deixai a luta entre eles.”

Após isso os dois reis se aproximaram um do outro no meio do Vau, e se encontraram, e no primeiro ataque, o homem que ocupava o lugar de Arawn atingiu Havgan no centro do relevo de seu escudo, de modo que ele rachou-se em um par, e sua armadura quebrou-se, e o próprio Havgan foi impelido ao chão, na extensão de um braço e uma lança por sobre a garupa de seu cavalo, recebendo um golpe mortal.

“Ó Comandante”, disse Havgan, “Que direito tens tu de causar minha morte? Eu não te ofendi em nada, e eu não sei o porquê de tu me matares. Mas, pelo amor dos Céus, já que começaste a me matar, completa teu trabalho.”

“Ah, Comandante”, respondeu ele, “Posso me arrepender de fazer isto a ti, matar-te como posso, não o farei.”

“Meus Senhores de confiança”, disse Havgan, “Levem-me daqui. Minha morte chegou. Não serei mais capaz de sustentar-vos”.

“Meus nobres”, disse também aquele que estava na forma de Arawn, “Deliberai e sentenciai quais deverão ser meus vassalos”.

“Senhor”, disseram os Nobres, “Todos serão, pois não há nenhum outro Rei no Annwvyn inteiro além de ti”.

“Sim”, ele respondeu, “É certo que aquele que chega humilde deverá ser recebido graciosamente, mas aquele que não chega com obediência, deverá ser obrigado pela força de espadas”.

E depois disso ele recebeu a homenagem dos homens, e começou a conquistar o país; e na tarde do dia seguinte os dois reinos estavam em seu poder. E então ele foi a seu encontro secreto, e veio a Glyn Cuch

E quando ele chegou lá, o Rei do Annwvyn estava lá para recebê-lo, e ambos ficaram felizes de ver um ao outro.

“Verdadeiramente”, disse Arawn, “Que os Céus recompensem a ti por tua amizade para comigo, eu soube dela. Quando chegares em teus domínios”, disse ele, “tu verás o que fiz por ti”.

“O que quer que tenhas feito por mim, que os Céus te retribuam”.

Então Arawn deu a Pwyll Príncipe de Dyfed sua própria forma e aparência, e pegou para si sua própria; e Arawn seguiu para a Corte de Annwvyn; e ele exultou ao ver seus anfitriões, e o guardião de sua casa, que ele não via há tanto tempo; mas eles não sabiam de sua ausência, e não o receberam melhor do que o normal. E aquele dia foi consumido em alegria e felicidade, e ele sentou e conversou com sua esposa e seus nobres. E quando foi a hora de dormir ao invés de farrear, eles foram descansar.

¹A maior divisão de uma determinada extensão era o Cantrev, análogo em vários aspectos do Hundred inglês. Vários commotes faziam um cantrev, vários cantrevs faziam um reino, e vários reinos faziam Gales. Também chamado de cantref, significa literalmente “uma centena”. Um commot é uma comunidade. A palavra deriva da mesma raiz de Cymru – companheiro, camarada, vizinho.


Espero que tenham gostado desta parte e até a próxima! ^__^
 
 
agora estou: contentcontent
 
 
 
wallacetaliesinwallacetaliesin on September 21st, 2006 03:49 pm (UTC)
Maravilha, o de Pwyll é "só" o meu Mabinogi favorito rs Eu gosto do Culhwch também, mas ele não é bem um Mabinogi, só foi incluido nas edições posteriores. Correm rumores de outra versão dessa lenda, que seria a utilizada no filme escuridão, e que teria como personagens o Deus dos Mortos Gwynn ap Nudd, Creyddladd e Halfgan, mas eu nunca vi uma versão completa da lenda de Gwynn e Creyddladd, por isso acho que versão do filme é inventada. Mas continuem aí com o bom trabalho, a cailína.
Póg.
Nimue Ninfae: ~a_neednimue_chan on September 21st, 2006 11:56 pm (UTC)
Tb amo o Pwyll. Amo a Rhiannon.

É curioso pq assim, eu tenho uma sintonia muito forte com os irlandeses, os mitos irlandeses são os que ecoam mais fundo dentro de mim.

Exceto pela Rhiannon. Ela é minha exceção. Ela mexe comigo numa camada muito profunda, é estranhíssimo.

Estamos cada vez mais empolgadas com isso aki, querendo levar adiante mesmo. ^___^ espero que o trabalho esteja mesmo bom!

Nós duas ficaríamos felizes de ver mais gente do PRP aki. Discutimos muito sobre isso... que a gente começou a Gáe Assail meio sem planos, naquela ânsia de fazer alguma coisa, e o PRP acabou parando. E a gente não quer isso. Resolvemos q o ideal é usar a Gáe Assail como sendo assim os primeiros passos pro PRP, q continua sendo o major goal. Ia ser ótimo se vc pintasse por aki, e postasse uma coisa q vc acha boa de postar. Pode ser um artigo, uma oração, o q vc quiser. A gente cria uma tag só pra vc ^___^

Beijos e obrigada pelo comentário! =D
La.