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04 September 2006 @ 06:49 pm
Mais sobre a vida dos celtas  
Mais do TGE Powell, meio q continuação do ultimo texto que postei.

Muito bacana o texto. Ainda tem mais depois!




Castros e Citânias


Nuns tantos locais de escavação, em que o número dos alicerces indica uma grande unidade social e econômica, talvez, por vezes, a residência de um chefe, é de crer que a variedade das casas reflita as diferenças de posição dos que nelas residiam. Mais particularmente, a posição especial e o tamanho avantajado de um ou dois edifícios podem indicar a residência do senhor, como vemos bem exemplificado no local fortificado da cultura dos campos de urnas em Altjoch, no lago Kochel, na Baviera, onde uma grande casa retangular isolada ocupava a fortificação interior, abaixo da qual estavam as casas menores e as edificações agrícolas. De modo semelhante, no local da cultura de Hallstatt do Goldberg, no Württemberg, uma casa retangular construída de pilares e outro grande edifício ficavam no interior de uma paliçada de troncos, fora da qual se encontravam para cima de duas dúzias de edificações de vários tipos, tanto casas como outras dependências agrícolas, tudo por sua vez incluído numa fortificação exterior.
Os locais até agora mencionados eram essencialmente rurais, mas, se considerarmos grandes centros de povoamento, como os oppida do Languedoc, é de supor que o sistema social celta normal tenha sofrido certa modificação, o que é sem dúvida verdadeiro para as grandes citânias da Gália Central, como Gerovia Bibracte e Avaricum, que desempenharam papel tão importante nas conquistas de César.

Armazenagem de Cereais


Um aspecto notável de alguns dos centros de povoamento agrícola celtas, que não podemos deixar passar em claro, era o uso de fundos poços para armazenagem, espécie de silos, cavados sob o solo da casa ou do recinto da habitação. É de crer que estes poços tivessem sido aproveitados principalmente para armazenagem de cereais e, pelo menos na Grã-Bretanha, eram revestidos de esteira de vime e serviam apenas por algumas estações, devido aos efeitos da umidade. Depois enchiam-nos de entulho e terra e abriam outros. São, portanto, fontes valiosas de vestígios arqueológicos, mas naquela ilha são característicos da cultura da Idade do Ferro A. Nos oppida de Cayla de Mailhac e de Ensérune, locais que foram objeto de escavações no Languedoc, encontraram-se silos muito fundos enterrados no calcário e também entulhados, como os seus correspondentes da Grã-Bretanha. A construção de silos foi abandonada mais tarde no Languedoc, devido à generalização do uso de enormes talhas de barro, as dolia, em resultado da influência grega.
Ainda não foi estabelecida a distribuição destes poços de armazenagem pela Europa pré-histórica, mas o seu uso constituía já prática antiga no mundo mediterrâneo oriental, como o atestam algumas estações arqueológicas em aldeias da Idade do Bronze média, na Hungria. É de supor que a utilização dos poços de armazenagem, com o que dela se infere sobre a melhoria das colheitas em resultado dos progressos da agricultura, constituía um dos elementos intrusos que se enraizou na cultura dos campos de urnas da zona norte-alpina.

Ofícios e Comércio


Foi talvez a própria diversidade do meio ambiente e dos recursos materiais, aliada a uma maneira de ser animada e à elasticidade da sua estrutura social dentro das classes livres, que elevaram os Celtas a um tão alto nível de produção artística e artesanal, sem paralelo entre os antigos habitantes da Europa Transalpina, e só rivalizado pelos seus vizinhos etruscos, os Citas. Não é possível descrever e analisar num pequeno livro a série imensa de objetos feitos de substâncias duradouras como o ouro, a prata, o bronze e o ferro, de cerâmica e até de fragmentos de madeira e de têxteis, que nos provam a excelência da perícia manual e do sentido artístico dos Celtas. Isto caberia mais propriamente no âmbito de um estudo especificamente arqueológico, pelo que só poderemos aqui considerar certas idéias gerais.
O aspecto essencial da economia de qualquer comunidade celta era a sua capacidade para se bastar a si própria em alimentos e roupas e, ao mesmo tempo, produzir o suficiente para criar um certo poder de troca, para adquirir instrumentos e armas, e aqueles acessórios menos utilitários da vida, que só pelo intercambio de artífices ou mercadorias poderiam obter-se. Portanto, exceto entre as comunidades situadas em regiões menos favorecidas, sempre pode encontrar-se um certo grau de especialização que permitia a cada unidade, fosse ela uma família ou tribo, aumentar os seus bens. Para muitos, deve ter sido a lã, as peles curtidas ou outros produtos agrícolas, mas a abundância generalizada de minério de ferro por todo o domínio celta veio favorecer um importante artigo negociável, mais fácil de trabalhar e com uma procura superior à que o bronze jamais vira, com as suas limitações tecnológicas e a raridade natural dos elementos constituintes.
A riqueza de muitas comunidades celtas, expressa arqueologicamente nos seus túmulos, pode ser avaliada em função dos seus recursos em metais, fato tanto mais verdadeiro nas áreas em que uma produção em larga escala podia ser posta ao serviço dos mercados insaciáveis do mundo urbano, que ficava para além dos Alpes; primeiro, no comércio com os Gregos e os Etruscos, e mais tarde com os Romanos. Como exemplos, os túmulos da própria Hallstatt, situados no Salzkammergut, indicam as relações de comércio dos mercados de sal locais com o distante Nordeste da Itália. Os túmulos de chefes da cultura de Hallstatt recente na Borgonha revelam-nos bem, com os seus artigos etruscos e gregos ocidentais importados, o resultado da generalização local do trabalho do ferro e sua exportação pela via do Reno. Pode também citar-se o comércio de estanho do Cornwall e da Bretanha para a costa mediterrânica do Sul da Gália, tendo este, porém, deixado restos menos espetaculares, como um importante fator econômico e cultural entre os Celtas ao longo das costas do Atlântico.
 
 
agora estou: contemplativecontemplative